quinta-feira, 27 de março de 2014

Top 10 homens mais ricos do mundo em 2014

10°

Jim Walton – US$ 34.7 bilhões (EUA)

Walmart
Jim WaltonJim é herdeiro e filho mais novo do fundador do Walmart, Sam Walton. Ele dirige os negócios da família substituindo seu irmão mais velho, John T. Walton, após seu falecimento em 2005. Jim possui 12,5% de ações, e os outros irmãos, Rob (11°), Alice(12°) e a viúva herdeira de John, possuem 12% cada. O grupo valorizou e expandiu pelo mundo, incorporando grandes redes do varejo. Atualmente, empregam 2.1 milhões de trabalhadores, com 8.500 lojas, em 15 países diferentes.

Crhisty Walton – US$ 36.7 bilhões (EUA)

Walmart
christy WaltonChristy é herdeira da fortuna de seu marido, John T. Walton, falecido em 2005 e segundo filho do fundador do Walmart. Dada como a mulher mais rica do mundo pela Forbes, ela se junta ao resto da família bilionária controlando a holding Walton Enterprises, que gere o Walmart e a First Solar (fabricante de painéis solares). Ela herdou 12% do Walmart, 26% do banco Arvest Bank e 25 milhões em ações da First Solar. No Brasil, o grupo é dono dos Hipermercados BIG, Supermercado Bompreço, Mercadorama, Nacional, Maxxi Atacado, TodoDia, e Sam’s Club.

Sheldon Adelson – US$ 38 bilhões (EUA)

Casinos
adelson sheldon um dos mais ricos do mundoSheldon, casado, 5 filhos, 80 anos, é famoso por ser o rei dos casinos e hotéis nos Estados Unidos. Ele é presidente da Las Vegas Sands, que controla outras companhias e patrimônios, incluindo o casino Sands de Macau, na China e o luxuoso complexo comercial Marina Sands Bay de U$ 5 bilhões em Cingapura. Em 2013, ele foi classificado pela Forbes o bilionário que mais aumentou sua fortuna no ano, graças a esses dois ultimos investimentos, ele somou mais U$15 bilhões ao seu patrimônio.

David Koch – US$ 40 bilhões (EUA)

Koch Industries
David kochDavid e seu irmão controlam a holding que se tornou uma das maiores empresas de capital fechado do mundo, com faturamento anual acima de 100 bilhões. Ele e seu irmão, Charles Koch (6°), detém cada um 42% da Koch Industries, ao qual Charles é o presidente, e David é o vice, assim a família controla os diversos setores atuante na industria de fabricação, comercio e investimento, empregando mais de 70 mil pessoas pelo planeta.

Charles Koch – US$ 40 bilhões (EUA)

Koch Industries
Charles Koch mais ricos do mundoCharles é um dos irmãos, mega empresários, da industria dos Estados Unidos. Com 77 anos, é presidente de uma das 10 maiores empresas privadas de lá. A Koch Industries é uma holding que atua nos setores de asfalto, commodity, energia, fertilizante, fibras, finanças, gás, mineral, papel, petróleo, plástico e substâncias. Sua atuação a frente da empresa, o fez ser eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time e 41° pessoa mais poderosa do mundo pela Revista Forbes em 2012.

Larry Ellison – US$ 48 bilhões (EUA)

Oracle Corporation
Larry Ellison um dos mais ricosLarry é co-fundador e maior acionista da Oracle Corporation, empresa multinacional de tecnologia e informática avaliada em mais de 160 bilhões, com 105 mil empregados. Além de possuir os 23% da Oracle, detém 46% em ações da NetSuite e LeapFrog Enterprises, somando um patrimônio de 37 bilhões. Ainda possui 4.5 bilhões em patrimonio/dinheiro pessoal. Entre seus bens luxuosos, há 98% de uma ilha no Havai, com iate e hotéis.

Warren Buffett – US$ 58.2 bilhões (EUA)

Berkshire Hathaway
Warren BuffetEsse americano de 82 anos, é um dos maiores investidores do mundo. Diferente de outros bilionário desse top 10, ele não fundou nenhuma grande empresa para ser o que é. Ele tem faro para investir nas empresas corretas. Através da holding Berkshire Hathaway, ao qual é dono, controla participações em diversas companhia de infraestruturas, como gás, energia elétrica, ferrovias e empresas multinacionais que renderam acima do esperado, como Coca-cola, Gilette, American Express e Walt Disney.
Em seu testamento, promete deixar 83% da fortuna a Fundação Bill e Melinda Gates, e enquanto continuar vivo doa 5% para caridade a cada verão.

Amâncio Ortega – US$ 64 bilhões (Espanha)

Zara
Amancio OrtegaAos 76 anos, o espanhol Amâncio Ortega é o residente mais rico da Europa com 59% de participação no grupo Inditex, a maior varejista têxtil do mundo. Ele é dono das marcas de grife Zara, Massimo Dutti, Oyshio, Pull and Bear, Stradivarius com mais de 5.000 lojas em mais 77 países, incluindo 35 no Brasil. Seu patrimônio pessoal esta avaliado em 1.4 bilhões, a maioria em imóveis. A empresa representa 90% ($53.1 b.)de sua fortuna, e demais investimentos privados.

Carlos Slim – US$ 72 bilhões (México)

América Movil
Carlos Slim HeluFoi considerado de 2007 a 2012, o homem mais rico do mundo, surpreendendo o antigo dono do posto – Bill Gates. Carlos é um mexicano de 72 anos, formado em engenharia em uma universidade local. Ele é acionista majoritário da maior operadora de telefonia móvel das Américas, a America Movil (Claro, Embratel, Net). Atualmente, possui apenas 43% da empresa que corresponde a 40.8 bilhões (53% de sua fortuna). Ele ainda investe em diversos setores, como o de minerais (Minera Frisco), financeiro (grupo Inbusa e CaixaBank), tabaco (Philip Morris) e midia (Jornal New York Times).

Bill Gates – US$ 76 bilhões (EUA)

Microsoft
Bill GatesGates, como todos sabem, é o maior filantropo do mundo, agnóstico, magnata, vive na excelência aos seus 57 anos. Em 2013 recuperou o posto de homem mais rico do mundo após valorização de suas ações. Se aposentou da presidência da Microsoft para cuidar dos interesses da Fundação Bill e Melinda Gates, projeto que direcionou mais de 30 bilhões em causas sociais e humanitárias. Apesar de possui 5% em ações na Microsoft, seu maior patrimônio são as ações gerenciada pela holding “Cascade Investment”, que incluem empresas como a Coca-Cola, Televisa, Ecolab, Companhias de ferrovia, hoteis e resorts.


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Essas 9 vistas microscópicas são realmente deslumbrantes

Partes reprodutivas de uma planta

Painel Solar
Carrapato ​​sugando o sangue de uma perna humana
Lêndea (verde) no cabelo (marrom)
Cálculo renal
Tecido cardíaco
Aglomerado de células de câncer de mama
Cristais de vitamina C

Bispo do luxo: da polêmica à renúncia

Bispo do luxo: da polêmica à renúncia
Cidade do Vaticano, 26 março 2014 (AFP) – O papa Francisco aceitou a renúncia dobispo de Limburgo (Alemanha), Franz-Peter Tebartz van Elst, conhecido como o ‘bispo do luxo’, anunciou o Vaticano. A Santa Sé explica em um comunicado que “a situação na diocese de Limburgo impede o exercício fecundo de seu ministério”. O sumo pontífice aceita portanto a renúncia apresentada em 20 de outubro pelo religioso, que foi substituído provisoriamente por um vigário geral.
“O Santo Padre pede ao clérigo e aos fiéis da diocese de Limburgo que recebam as decisões da Santa Sé com docilidade e que se esforcem para recuperar um clima de caridade e de reconciliação”, afirma o Vaticano em um comunicado.
Interior da capela particularFonte da imagem: Reprodução/Rhein
Há alguns meses, uma polêmica explodiu sobre o financiamento da reforma do centro diocesano de Limburgo. Os gastos de 31 milhões de euros (43 milhões de dólares), ao invés dos seis previstos inicialmente, provocaram um grande escândalo na Alemanha. Uma comissão de investigação foi nomeada pela Igreja da Alemanha para apresentar um relatórios sobre os gastos da diocese. A comissão se reuniu em oito ocasiões, a partir de outubro de 2013, às vezes durante vários dias seguidos, e entrou em contato com várias testemunhas.
Centro diocesano da diocese de LimburgoFonte da imagem: Reprodução/Público
presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, Robert Zollitsch, entregou o relatório no início de março ao cardeal Marc Ouellet, chefe da Congregação para os Bispos, no Vaticano. Após a renúncia, o bispo foi convidado pelo papa Francisco a deixar a diocese, administrada em sua ausência por um vigário geral. Nesta quarta-feira, o Vaticano nomeou o monsenhor Manfred Grohe para dirigir a diocese como administrador apostólico.
Franz-Peter Tebartz van ElstFonte da imagem: Reprodução/Arne Dedert
De acordo com a imprensa alemã, o relatório da comissão que investigou o caso é devastador para aquele que passou a ser chamado de “bispo bling bling” por seus erros de gestão. O caso gerou muita polêmica na Alemanha, no momento em que o papa defende uma Igreja mais humilde.
No país, a Igreja Católica (como a evangélica) se beneficia de um imposto de culto: emprega muitas pessoas, administra vários bens e associações sociais, educativas e de saúde, incluindo nos países em desenvolvimento.

terça-feira, 25 de março de 2014

Evolução da animação digital: Paul Walker aparecerá em Velozes e Furiosos 7

Evolução da animação digital: Paul Walker aparecerá em Velozes e Furiosos 7
Ainda que muitos torçam o nariz e digam que “Velozes e Furiosos” se tornou um caça-níqueis sem graça e de infinitas sequências, a comoção foi mundial quando em novembro de 2013 veio à tona a notícia de que Paul Walker havia falecido em um acidente. O próximo filme da franquia já estava em produção quando a tragédia ocorreu, mas o ator só havia feito parte de suas cenas.
Naturalmente, a primeira coisa que se pensou é que a Universal Pictures eliminaria o personagem de Walker, inventando na trama alguma desculpa sobre sua saída. Entretanto, há rumores contundentes de que o estúdio manterá a presença do ex-policial Brian O’Conner na história utilizando a tecnologia gráfica como recurso.
O site Confidenti@l — do respeitado portal de notícias Daily News — diz que possui um informante acompanhando a produção de perto e que ele afirma que foram contratados quatro atores com o físico bem parecido ao de Paul Walker para serem usados como base para a movimentação do personagem.
O rosto de Walker seria inserido nesses dublês através de computação gráfica e sua voz gerada a partir de ferramentas digitais. Rumores anteriores diziam que um dos quatro dublês contratados era Cody Walker, irmão mais novo — e sósia — do ator, mas isso não foi confirmado pelo informante.
Cody Walker à esquerda, Paul Walker à direitaFonte da imagem: Reprodução/Liberty Voice

O início da tendência

O artifício de inserção de atores por meios digitais, ainda que não tenha sido executado de forma impecável — ou imperceptível — até o momento, não é novidade em Hollywood. A tendência, que iniciou-se cerca de 12 anos atrás comblockbusters como “Homem-Aranha”, “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres”, “Hulk” (de Ang Lee) e “Matrix Reloaded”, começou como uma proposta mais modesta que apenas se arriscava a criar dublês e figurantes em planos mais abertos ou elaborar criaturas inexistentes, impossíveis de retratar através de maquiagem.
Mais tarde, em 2009, um passo mais ousado foi dado no prólogo de “O Exterminador do Futuro”, do diretor McG.  A produção fez uso de dublês de corpo e animação computadorizada para reproduzir o T-800, ciborgue originalmente interpretado por Arnold Schwarzenegger, com a mesma aparência do ator no primeiro filme da série, lançado em 1984. O recurso, ainda que evidente, foi elogiado por muitos críticos como único ponto que gerou entusiasmo no filme — que acabou recebendo duras avaliações em sua estreia.

A prática traz a perfeição

Desde então, a tecnologia avançou muito e algumas animações, como a projeção holográfica do falecido rapper Tupac Shakur no festival Coachella, já têm a competência de provocar no público sensação de estranheza, tornando difícil distinguir o que é computação gráfica e o que é realidade.
Um bom exemplo disso é a campanha publicitária do chocolate britânico Galaxy, em que a atriz Audrey Hepburn, de “Bonequinha de Luxo”, foi ressuscitada e rejuvenescida digitalmente para atuar em um comercial. A reprodução da aparência e movimentação da atriz foram motivo de deslumbre generalizado, devido a sua perfeição em detalhes. Claro que isso veio a custo de muito trabalho: a animação de um minuto demorou um ano para ser concluída.

Cientistas descobrem estado exótico da matéria em olhos de galinhas

Cientistas descobrem estado exótico da matéria em olhos de galinhas
De acordo com o Live Science, cientistas observaram pela primeira vez em um sistema biológico um estado da matéria chamado “hiperuniformidade desordenada”. A descoberta foi feita por pesquisadores das Universidades de Princeton e de Washington, nos EUA, que estudavam os cones — células responsáveis pela percepção de cores — dos olhos de galinhas.
Conforme explicaram, as galinhas e outras aves que são mais ativas durante o dia contam com quatro tipos de cones que respondem às cores violeta, verde, azul e vermelho, além de um quinto tipo que detecta os diferentes níveis de luminosidade. Cada variedade de cone conta com um tamanho e composição diferente, e todos se encontram em uma única camada de tecido na retina.

Padrão desordenado

Fonte da imagem: Pixabay
Enquanto muitos animais têm seus cones organizados em padrões específicos — como os insetos, por exemplo, cujo padrão é hexagonal —, as células dos olhos das galinhas parecem dispostas de maneira completamente desordenada. Os pesquisadores então criaram um modelo matemático que imitasse a disposição dos cones dessas aves, descobrindo que, na verdade, eles apresentam uma configuração curiosamente organizada.
Segundo os cientistas, ao redor de cada cone existe uma área de exclusão que evita que células de uma mesma variedade se aproximem muito umas das outras. Isso significa que cada tipo de cone apresenta uma disposição uniforme específica, enquanto que os cinco padrões dos cinco tipos diferentes de células estão dispostos uns sobre os outros de maneira irregular.

Ordem no caos?

Modelo que imita o padrão dos olhos das galinhasFonte da imagem: Reprodução/Universidade de Princeton
De acordo com os pesquisadores, isso ocorre porque os cones contam com tamanhos diferentes, tornando bastante difícil que o sistema adote um estado ordenado. Então, ao não poder adotar uma disposição regular, apesar de mostrar um padrão irregular, o sistema deve ser o mais uniforme possível. Daí o estado de hiperuniformidade desordenada que, no caso das galinhas, provavelmente serve para que a luz penetre de maneira uniforme.
Materiais nesse estado se comportam como cristais, já que mantém a densidade das partículas consistente ao longo de grandes distâncias. Contudo, esse estado também se comporta como líquido, pois suas propriedades físicas são as mesmas em todas as direções. Esse mesmo estado já foi observado em sistemas como o do plasma simples e do hélio líquido, mas esta provavelmente seja a primeira vez que ele é encontrado em um sistema biológico.
E qual a importância disso tudo, você deve estar se perguntando! Os pesquisadores explicaram que engenheiros podem se basear nesse novo estado para criar novos circuitos ópticos e detectores de luz que sejam sensíveis ou resistentes a determinados comprimentos de onda.

Diferentes estados da matéria

Sólido, líquido e gasosoFonte da imagem: Shutterstock
Mas, deixando os olhos das galinhas de lado, que história é essa de estado exótico da matéria? Você deve ter aprendido na escola que basicamente existem três estados da matéria: sólido, líquido e gasoso. Segundo o site Today I Found Out, cada um apresenta características diferentes e eles são definidos de acordo com a densidade e estrutura das moléculas que compõem determinado elemento.
Desta forma, nos sólidos as moléculas se encontram muito próximas umas das outras e seu volume se mantém fixo. Os sólidos também retêm seus formatos e existem dois tipos principais deles, os amorfos — como é o caso do plástico — e os cristalinos, como é o caso do gelo. Nos líquidos, as moléculas não se encontram tão juntas como no estado sólido e, apesar de o formato dos elementos ser variável, o volume se mantém constante.
Lâmpada de plasmaFonte da imagem: Reprodução/Wikipédia
Já nos gases as moléculas se encontram menos juntas ainda, eles não apresentam forma fixa e seu volume é variável. Além desses três estados — sólido, líquido e gasoso —, ainda existe o plasma que, assim como os gases, não conta com estrutura fixa nem volume definido. A diferença neste caso é que suas partículas têm carga elétrica e, portanto, podem produzir um campo magnético e conduzir eletricidade.
A matéria em estado exótico é aquela que viola uma ou mais das condições clássicas, como ter massa negativa ou não ser atraída pela gravidade, por exemplo. O que os pesquisadores observaram nos olhos das galinhas cai nesta descrição.

Conheça o homem que passou por uma cirurgia cerebral e parou no tempo

Conheça o homem que passou por uma cirurgia cerebral e parou no tempo
Existe um marco importante para a neurociência que aconteceu devido ao caso intrigante de um homem: Henry Gustav Molaison. A situação de Henry foi estudada desde 1953 até a sua morte, em 2008.
Este homem — que ficou conhecido nos registros médicos como H.M. — tinha epilepsia grave, que era atribuída a um acidente de bicicleta que ele sofrera quando tinha sete anos de idade. Devido à doença, desde muito jovem Henry tinha severas convulsões e elas ficavam cada vez piores à medida que ele envelhecia.
As crises se tornaram tão terríveis que H.M. não dava mais conta de seu serviço em uma linha de montagem de motores de veículos. Então, ele teve que voltar a morar com seus pais até que um fato mudaria a sua vida — e a Medicina — para sempre. Em 1953, quando tinha 27 anos, H.M. foi encaminhado ao neurocirurgião William Beecher Scoville, do Hartford Hospital de Connecticut.

Cirurgia

O médico avaliou o quadro de H.M. e constatou a gravidade do problema. Depois de ficar sem outras opções, Scoville sugeriu uma cirurgia experimental que iria remover pequenas partes do cérebro de Henry para reduzir as convulsões. Desesperado, o rapaz concordou com o procedimento, que foi realizado em agosto de 1953.
Henry Gustav poucos anos antes da cirurgiaFonte da imagem: Reprodução/New Yorker
O processo cirúrgico no cérebro de Henry incluía a remoção de boa parte do hipocampo (duas partes do cérebro inferior) e porções de seus lobos temporais (as partes laterais do córtex), pois o médico achava que estas áreas estavam causando as convulsões. Durante o procedimento, H.M. esteve consciente, depois de ter sido aplicada apenas a anestesia local.
Enquanto ele parecia bem durante o procedimento, como relatou depois Scoville, a cirurgia revelou-se "um erro trágico". No entanto, este erro seria muito importante para a história da neurociência.

Efeitos inesperados

Fonte da imagem: Shutterstock
Após a cirurgia, os médicos gostariam de contabilizar apenas os pontos positivos, que existiram, mas tiveram que lidar com uma situação inesperada. Quanto às convulsões, a cirurgia foi bem-sucedida, pois o quadro ficou bem mais controlado e ameno. Por outro lado, o procedimento não foi tão bem-sucedido quando ficou claro que havia interrompido a memória de Henry de uma forma debilitante.
O fato era que H.M. podia se lembrar de coisas do passado distante, mas não era capaz de absorver nada de novo à sua memória consciente. Ele só podia guardar pensamentos por cerca de 20 segundos e não conseguia se lembrar de fatos que ele tinha aprendido recentemente ou eventos que tinham acontecido.
O neurocirurgião William Beecher ScovilleFonte da imagem: Reprodução/Uol
Ele também não conseguia se lembrar de coisas que aconteceram um ano ou dois antes da cirurgia e tinha lapsos aleatórios em sua memória sobre onze anos antes disso.
Porém, curiosamente, H.M. era capaz de aprender novas habilidades motoras, como tocar um instrumento musical ou um jogo moderno. No entanto, na próxima vez que ele era convidado a realizar essas atividades, o homem não tinha nenhuma lembrança de que ele sabia como fazê-las, apesar de ser capaz de executar bem cada uma delas.
As capacidades e incapacidades da memória de Henry Molaison foram intrigando e surpreendendo os médicos. Com o passar do tempo, eles também descobriram que H.M. parecia ser capaz de adquirir pequenos fragmentos de informação sobre a vida pública, como os nomes de celebridades.
Ele também tinha a capacidade de aprender novas memórias espaciais, como o layout de sua residência, mas não tinha nenhuma ideia de como ele sabia dessa informação ou como os diferentes cômodos eram.

Descoberta

Henry MolaisonFonte da imagem: Reprodução/The Guardian
A maioria dos cientistas da época da cirurgia acreditava que a memória do ser humano era distribuída por todo o cérebro e que não dependia de nenhuma região. Porém, a condição de H.M. revelou que existem diferentes tipos de memória de longo prazo que vêm de diferentes partes do cérebro. O caso de Henry também deu dicas sobre quais áreas do cérebro são responsáveis ​​pela conversão da memória de curto e longo prazo, entre outras coisas.
Apesar dessa ótima novidade para a ciência, a perda de memória impedia H.M. de ter uma vida normal e ele praticamente “parou” no tempo. Em 2004, ele ainda achava que Dwight Eisenhower era presidente dos Estados Unidos (de 1953-1961), acreditando também que ainda tinha cabelos escuros e pele sem rugas, como ele tinha na década de 1950.
Como não poderia deixar de ser, H.M. necessitava de constante ajuda e vigilância. Por essa razão, H.M. continuou vivendo com os seus pais. Depois, viveu com um parente ao longo dos anos, pois não conseguia manter um emprego devido a sua perda de memória. Durante este tempo, H.M. ajudava nas tarefas domésticas, provando que ele poderia realizar atividades diárias a partir do que se lembrava dos anos antes de sua cirurgia.

Pesquisas constantes

Henry nos anos 70Fonte da imagem: Reprodução/Student Society
Com o passar das décadas, H.M. participou de centenas de estudos e experimentos sobre a memória e a aprendizagem, revelando informações anteriormente desconhecidas sobre o funcionamento do cérebro humano. Apesar de sua amnésia, a inteligência dele em áreas fora da memória manteve-se normal. Isso fez dele um excelente candidato para experimentos.
Além disso, a personalidade calma  e bem-humorada de Henry não foi alterada pelo dano em seu cérebro, sendo muito amigável e feliz, o que era ótimo para longas pesquisas. Ele nunca se cansava de fazer testes de memória repetidamente, o que outras pessoas achariam tediosos. Afinal, os testes eram novos para ele o tempo todo. Ele também se apresentava para os pesquisadores gentilmente como se fosse a primeira vez
Entre os testes, H.M. costumava fazer palavras cruzadas. Se as palavras eram apagadas, ele faria as mesmas repetidamente. Quanto à forma como ele se sentia sobre tudo isso, ele disse certa vez: “Eu estou tendo uma pequena discussão comigo mesmo. Agora, eu estou querendo saber. Eu fiz ou disse alguma coisa errada? Veja só, neste momento tudo parece claro para mim, mas o que aconteceu um pouco antes? Isso é o que me preocupa”.
H.M. foi viver em uma casa de repouso quando tinha 54 anos de idade, ficando lá até a sua morte em 2008, aos 82 anos, marcando a história da neurociência como o mais importante paciente para a área. Ele deixou seu corpo para a ciência e seu cérebro foi dissecado em 2401 "fatias" na Universidade da Califórnia, em San Diego. E as pesquisas sobre o cérebro humano e suas memórias continuam.